Lisboa: 7 curiosidades sobre o Castelo de São Jorge

É inegável a importância histórica e arquitetônica do Castelo de São Jorge, um dos monumentos mais antigos de Lisboa, com origens datando do século 11.

Explorar a sua história é mergulhar nos vários séculos de existência da cidade, e há muitos segredos e curiosidades que ainda esperam para serem descobertos por aqueles que desejam se tornar especialistas na história da capital portuguesa.

Uma visita ao Castelo de São Jorge é uma oportunidade única para conhecer mais sobre a história de Portugal e apreciar a vista deslumbrante da cidade a partir das suas muralhas.

Não deixe de conferir a Torre de Menagem, a Cisterna, o Paço Real e outros pontos de interesse dentro do castelo.

7 curiosidades sobre o Castelo de São Jorge

1. O Castelo de São Jorge tem “apenas” 80 anos

O Castelo de São Jorge é um dos mais antigos e importantes monumentos de Lisboa, e muitos acreditam que tem séculos de história. No entanto, a verdade é que o castelo tem “apenas” 80 anos.

A história do castelo remonta ao século 7 e 2 A.C., quando já existia um aglomerado fixo na colina onde hoje se encontra o castelo. Durante o Império Romano, a zona fortificada do castelo era conhecida como “Oppidum”.

Foi apenas no período muçulmano, entre os séculos 7 e 11, que as muralhas foram estruturadas. A primeira referência histórica ao Castelo é feita num documento do século 12 do geógrafo árabe Edrici.

Castelo de São Jorge, torre de Ulisses e instalações militares | Eduardo Portugal [ant. 1939) | Arquivo Municipal de Lisboa
Após a conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, o Castelo de São Jorge tornou-se um espaço reservado para o rei e a corte, o que durou até ao início do século 16.

Ao longo dos séculos, o castelo sofreu muitas intervenções e alterações, incluindo os efeitos do terramoto de 1530, que destruiu parte da estrutura.

A partir do século 16, a corte abandonou o castelo e mudou-se para o Paço da Ribeira, no Terreiro do Paço. A partir daí, o castelo assumiu uma função militar que durou até ao final do século 19.

O terramoto de 1755 deixou em ruínas a zona do castelo, e a degradação crescente do espaço e a inoperância das estruturas militares tornaram-se evidentes.

Foto: Eduardo Portugal [1939] | Arquivo Municipal de Lisboa
O Castelo de São Jorge foi praticamente reconstruído durante os anos de 1938 a 1940, durante a ditadura de António Oliveira Salazar (1932-1968).

Salazar queria exaltar o patriotismo português e criar uma imagem de heroísmo para Portugal, por isso, decidiu criar monumentos falsos para comemorar os oito séculos da fundação de Portugal por D. Afonso Henriques, em 1139, e a Restauração (quando Portugal se liberta do domínio espanhol entre 1580 e 1640).

Nessa época, o país se preparava para a grande Exposição do Mundo Português.

Fotografia de 1939 da colina ainda sem as torres e ameias do Castelo de S. Jorge

A exposição, inaugurada em 23 de junho de 1940, foi mais um delírio megalomaníaco de Salazar para legitimar sua ditadura, afirmando o nacionalismo através de um grande evento.

Antes da construção do castelo, o local abrigava ruínas e instalações militares, mas Salazar ordenou a construção das muralhas seguindo orientações puramente ideológicas, passando por cima da relevância do sítio arqueológico que ali se encontrava e que remetia aos séculos 17 e 18.

Foto: Domingos Alvão [ant. 1946] | Arquivo Municipal de Lisboa

2. Câmara Escura

No interior do Castelo de São Jorge, encontra-se uma curiosa atração: a câmara escura. Esse sistema ótico, composto por lentes e espelhos, proporciona uma visão panorâmica de Lisboa em tempo real, a 360 graus.

É possível avistar diversos pontos turísticos, áreas nobres da cidade, o rio Tejo e até mesmo o movimento na Ponte 25 de Abril. A câmara escura está localizada no topo da Torre Ulisses e, no entanto, o seu funcionamento é afetado pelas condições climáticas.

Essa é uma experiência única para os visitantes do castelo, que podem desfrutar de uma vista impressionante e uma perspectiva diferente da cidade.

3. São Jorge

O Castelo de São Jorge, em Lisboa, passou a ter este nome a partir do século 14, quando o rei D. João I decidiu mudá-lo devido à sua importância como Paço Real.

A escolha do nome recaiu sobre São Jorge, já que este era o santo invocado pelo monarca fundador da Ordem de Avis, durante a Batalha de Aljubarrota e a luta contra o Reino de Castela, e também porque São Jorge havia sido eleito Santo Patrono de Portugal em 1387.

São Jorge é conhecido como o santo guerreiro e é o padroeiro dos cavaleiros e dos militares.

4. Jardim de Espécies Autóctones Portuguesas

O jardim do Castelo de São Jorge oferece um espaço verde único na capital portuguesa, onde é possível encontrar as principais espécies autóctones da floresta portuguesa, incluindo sobreiros, zambujeiros, alfarrobeiras, medronheiros, pinheiros-mansos e algumas árvores frutíferas.

A curadoria dessas árvores homenageia a memória da antiga horta do Paço Real da Alcáçova, que foi a residência medieval real que foi destruída após o terramoto de 1755 e que abrigou D. Afonso Henriques em algum momento de sua vida.

@olhares.sapo.pt

5. Recorde de visitas

De acordo com informações divulgadas em abril de 2019, o Castelo de São Jorge estabeleceu um recorde de visitas em Portugal em 2018, sendo o monumento mais visitado no país.

Foram registradas 2.021.242 entradas durante o período, com o número de visitantes estrangeiros representando a maior parcela de visitas, totalizando 95% do público. As informações são da EGEAC.

EGEAC significa Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, e é uma empresa pública responsável pela gestão de diversos equipamentos culturais e pela organização de eventos culturais na cidade de Lisboa.

O Castelo de São Jorge é um dos equipamentos geridos pela EGEAC.

@castelodesaojorge.pt

6. Estátua de D. Afonso Henriques

Ao entrar no Castelo de São Jorge, a primeira coisa que se vê é uma estátua em bronze de D. Afonso Henriques.

Embora pareça bastante antiga, a estátua em questão foi criada em 1947 e é uma réplica da original, que foi feita por Soares dos Reis em 1887 e atualmente encontra-se em Guimarães, em frente ao Paço dos Duques.

A cidade do Porto ofereceu essa réplica a Lisboa para ser inaugurada em 25 de outubro de 1947, durante as celebrações do 7º Centenário da conquista da cidade.

Foto: Comemorações do 7º Centenário da Tomada de Lisboa aos Mouros | Claudino Madeira [1947] | Arquivo Municipal de Lisboa

7. Prêmio de Arquitetura

Em 2010, os arquitetos Carrilho da Graça e João Gomes da Silva conceberam um projeto de arquitetura para o núcleo arqueológico da Praça Nova, situado no Castelo de São Jorge.

O objetivo do projeto era proteger e destacar o sítio arqueológico, que contém vestígios de diferentes períodos de ocupação da colina, incluindo povoamentos da Idade do Ferro, habitações muçulmanas medievais e um palácio do século 15 pertencente aos Condes de Santiago.

O projeto recebeu um prêmio de arquitetura por sua qualidade e originalidade.

@olharquitectura-2.blogspot.com

Por que você deve visitar o Castelo de São Jorge

Se você está planejando uma viagem a Lisboa, o Castelo de São Jorge é uma parada obrigatória. Com uma vista panorâmica deslumbrante da cidade, este antigo castelo é uma das principais atrações turísticas da capital portuguesa.

Além da vista, o Castelo de São Jorge oferece uma oportunidade única de explorar a história de Lisboa e de Portugal. Desde a época romana até a fundação do país, passando pelo período dos mouros e a luta pela independência, o castelo é um verdadeiro tesouro histórico que merece ser descoberto.

Além disso, o Castelo de São Jorge oferece uma variedade de atividades e exposições que agradam a todos os gostos. Desde concertos a exposições de arte, passando por oficinas educativas e visitas guiadas, há sempre algo para fazer e aprender no castelo.

Portanto, se você quer ter uma experiência única em Lisboa, não deixe de visitar o Castelo de São Jorge. Com sua rica história, vistas deslumbrantes e uma variedade de atividades, este castelo é uma parada obrigatória para todos os viajantes que querem conhecer a capital portuguesa.

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